Emotional processing and psychopathy in female offenders
Pinheiro, Marina Leonor Martins
Diversos
Emotional processing is a central aspect of psychopathy, although research focused on women, particularly in prison settings, remains fragmented and theoretically based on male samples, which limits the understanding of female emotional patterns. This thesis is organized into five studies, one systematic review and four empirical studies, conducted with a sample of 164 incarcerated Portuguese women (Mage = 38.75 years; SD = 11.99), exploring emotional processing and developmental, emotional, and cognitive mechanisms linked to psychopathic traits. The empirical studies employed a multimethod approach, including the Self-Report Psychopathy Short-Form (SRP-SF), the Social Desirability Scale, the International Affective Picture System (IAPS) combined with the Self-Assessment Manikin (SAM), the Emotional Processing Scale (EPS-25), the Adverse Childhood Experiences scale (ACEs), the Benevolent Childhood Experiences scale (BCEs), the Basic Empathy Scale (BES), and the Frontal Assessment Battery (FAB). The systematic review (study 1) identified deficits in the understanding, regulation, and categorization of negative emotions, as well as elevated alexithymia in women with higher psychopathic traits. The characterization of emotional processing (study 2) revealed that women with higher psychopathic propensity showed increased arousal to threatening cues and reduced perceived control. Empirical studies 3 and 4 examined how developmental experiences and empathy influence the expression of psychopathic traits, with findings showing associations between ACEs and psychopathic traits, particularly in the lifestyle and antisocial facets, as well as impairments in affective empathy. Positive childhood experiences (PCEs) buffered the effect of some ACEs on psychopathic traits and affective empathy. Finally, study 5 tested a theoretical model examining relationships among ACEs, executive functioning (EF), emotional processing (and its dimensions), psychopathic traits, and empathy. It found that ACEs were associated with higher EF, that emotional processing difficulties emerged as a central mechanism underlying psychopathy, and that psychopathic traits were linked to deficits in affective, but not cognitive, empathy. This thesis advances understanding of emotional processing in female psychopathy, highlighting context-dependent emotional patterns and underscoring the need to integrate developmental, emotional, and cognitive mechanisms into theoretical models, informing psychological assessment and the development of gender-responsive, trauma-informed forensic interventions.
O processamento emocional constitui um aspeto central da psicopatia, embora a investigação focada em mulheres, particularmente em contextos prisionais, permaneça fragmentada e baseada em amostras masculinas, o que limita a compreensão dos padrões emocionais femininos. Esta tese está organizada em cinco estudos, uma revisão sistemática e quatro estudos empíricos, realizados com uma amostra de 164 mulheres portuguesas reclusas (Midade = 38.75 anos; DP = 11.99), explorando o processamento emocional e os mecanismos desenvolvimentais, emocionais e cognitivos associados a traços psicopáticos. Os estudos empíricos recorreram a uma abordagem multimétodo, incluindo o Questionário de Autorrelato da Psicopatia (SRP-SF), a Escala de Desejabilidade Social, o Sistema Internacional de Imagens Afetivas (IAPS) combinado com o Manequim de Autoavaliação (SAM), a Escala de Processamento Emocional (EPS-25), a escala de Experiências Adversas na infância (ACEs), a escala de Experiências Benevolentes na Infância (BCEs), a Escala de Empatia Básica (BES) e a Bateria de Avaliação Frontal (FAB). A revisão sistemática (estudo 1) identificou défices na compreensão, regulação e categorização de emoções negativas, bem como alexitimia elevada em mulheres com maiores níveis de traços psicopáticos. A caracterização do processamento emocional (estudo 2) revelou que mulheres com maior propensão psicopática apresentavam maior ativação perante estímulos ameaçadores e menor perceção de controlo. Os estudos empíricos 3 e 4, que analisaram a influência das experiências desenvolvimentais e da empatia na expressão dos traços psicopáticos, evidenciaram associações entre ACEs e traços psicopáticos, particularmente nas facetas de estilo de vida e antissocial, bem como défices na empatia afetiva. As experiências positivas na infância (PCEs) atenuaram o efeito de algumas ACEs nos traços psicopáticos e na empatia afetiva. Por fim, o estudo 5 testou um modelo teórico para examinar as relações entre ACEs, funcionamento executivo (FE), processamento emocional, traços psicopáticos e empatia, demonstrando que as ACEs se associam a níveis mais elevados de FE, que as dificuldades no processamento emocional emergem como um mecanismo subjacente à psicopatia e que os traços psicopáticos se associam a défices na empatia afetiva, mas não na empatia cognitiva. Esta tese contribui para compreender o processamento emocional na psicopatia feminina, destacando padrões emocionais dependentes do contexto e sublinhando a necessidade de integrar mecanismos desenvolvimentais, emocionais e cognitivos em modelos teóricos, com implicações para a avaliação psicológica e desenvolvimento de intervenções forenses sensíveis ao género e informadas pelo trauma.